sábado, outubro 29, 2016

Proibido aprender... (é só bola de cristal!)

Numa aula de 5.º ano...
Sim, custa descobrir todos os divisores de um número se a professora se lembra de pedir os de 120... Sim, é importante aprender a descobri-los utilizando os critérios de divisibilidade aprendidos na aula...
Sim, é fundamental usar a divisão para verificar tudo quando temos dúvidas...
E se houvesse outra maneira de lá chegar através da decomposição em fatores primos (conteúdo de 6.º ano)?

Decidi apresentar o truque... mas disse-lhes: não precisam de perceber o que estou a fazer, é só para ser mais rápido. São os meus truques de professora de matemática e para o ano ensino-vos como se faz!

Oh... não podemos aprender? 
Não... é mesmo proibido aprender! É um momento "bola de cristal" onde vos mostro o futuro. Vêem aqui a bola de cristal ao meu lado em cima deste livro? 
Primeiro o breve espanto... mas já me conhecem e sabem que há magia na sala de aula, portanto...
Claro que vemos, está mesmo aí!
Oh professora está quase a cair! (O livro estava inclinado... e eu: tens razão, deixa cá endireitar o livro não vá ela partir-se e faz-me falta. Mando-a vir do céu sempre que preciso e daqui a pouco já a atiro para lá e assim fica quardadinha até à próxima vez.)

Oh professora, não podemos copiar?
Não, não podem... é proibido!
Mas eu já copiei e acho que entendi!
Está bem, também não faz mal... mas eu prefiro que não pensem mais no assunto.
Oh professora e podemos usar na ficha de avaliação na segunda?
Não, não podem! Quer dizer... se fizerem tudo direitinho como tem de ser e sobrar tempo, podem depois escrever lá o truque para confirmar que não esqueceram nenhum divisor.

Acabei agora de repetir o truque na aplicação "Show me" do iPad e vou colocar na salinha de estudo como provocação. Alguns já se habituaram a ir lá ver o que lhes deixo e hoje deixo uma prendinha de fim de semana.

Que digo eu? Prendinha... um truque matemático?

Talvez o fruto proibido seja o mais apetecido... verei depois o que aconteceu!

segunda-feira, outubro 03, 2016

Uma aula, uma aluna com dúvidas, um telemóvel e uma história...

Foi dia de "questões de aula"... três expressões numéricas e dois exercícios em formato de equação (5.º ano). Há que ir percebendo se as dúvidas estão a ser colocadas/esclarecidas e através do feedback rápido permitir aos alunos o reconhecimento de dificuldades atempadamente, a correção de desvios e o esclarecimento de dúvidas.

Recolho as respostas, arrumamos tudo, preparam-se para sair. Toca. Duas alunas ficam para o fim e vêm conversar um pouco sobre a dificuldade que ainda sentem na resolução de expressões numéricas de forma mais estruturada, respeitando as regras operatórias.

Lembrei-me de um dos vídeos da Edutopia sobre a "flipped classroom" (uma das publicações anteriores) onde um dos autores contava que havia pedido a um aluno para o filmar com o seu telemóvel resolvendo um exercício e...
... alguma de vocês tem um telemóvel que filme com alguma qualidade? A L. tinha. Fizemos alguns takes (num enganei-me, no outro o espaço de memória acabou e foi preciso apagar coisas) e, por fim, lá conseguimos um segmento artesanal, simples, meio tremido, mas sem falhas.

Consegues enviar-me o vídeo?
A professora tem facebook?

Dei-lhes o nome para me procurarem (apontaram-no por escrito no telemóvel) e à tarde tinha o convite para nos adicionarmos, e a mensagem com o vídeo. Coloquei-o no canal do departamento de matemática e ciências experimentais e partilhei-o no blogue da salinha de estudo que estou a tentar reativar (precisa de outra organização, mas lá iremos). No facebook dei-lhe a notícia em primeira mão com o link para assistir ao vídeo.


É para continuar... e gostaria que fossem eles também a produzir algumas das explicações.
Vamos ver como corre...

(Aos vídeos juntarei pequenos segmentos feitos com uma aplicação chamada "show me")


sexta-feira, setembro 30, 2016

poesia antes das contas...

Aconteceu naturalmente e, para já, apenas numa turma.
Depois da oferta de um poema de boas vindas na primeira aula de matemática, e do convite à sua leitura, tantos foram os que desejavam lê-lo em voz alta, que a ideia nasceu: e se requisitarem livros de poesia na biblioteca e abrirmos a aula de matemática com a leitura de um poema? Falei do pequeno livro da desmatemática de Manuel António Pina, mas primeiro os alunos descobriram os meus livros e foram esses a fonte de alguns poemas lidos nestas primeiras aulas
Ontem, finalmente, o nosso Pina apareceu pelas mãos de algumas meninas que leram vários pequenos poemas antes das contas começarem.
Foi bonito e é para continuar.




Era uma vez uma Escola e Eu
e um mar enorme para navegar.

Páginas e ondas, palavras e flores
e livros e bolas, lápis e cores
amigos antigos, outros a chegar.

Era uma vez a Escola e Eu
e um céu  imenso para voar.

As respostas aguardam
por entre as estrelas...
só é preciso
saber perguntar.

Era uma vez esta Escola e Eu
e o dia de hoje
para começar...

quinta-feira, setembro 15, 2016

Flipped classroom e mais coisas... Como aprendem os jovens?

... não gosto muito da designação em português ("invertida"), mas gosto imenso do conceito e do potencial que encerra. Vontade de aprofundar, acrescentando mais elementos ao que já vou fazendo.

Ver AQUI a reportagem e o vídeo 5 .

Aqui podem encontrar mais vídeos da série Flipped classroom (Edutopia)




E, já agora, partilho um outro vídeo para arrancar em força com as ideias no lugar (como os jovens aprendem?):


Ano novo... vida nova?

Ora bem... Como dizer?

Depois de um período algo cinzento, precisava urgentemente de me reencontrar e à minha motivação para começar este ano letivo com ideias e planos. Primeiro passo: turmas de quinto ano (matemática) para começar histórias novinhas em folha (check!), criar tempo para continuar a ajudar o CCTIC, minha tribo, na formação de professores em Scratch (check!.... aguardem que vêm novidades por aí...); voltar a introduzir o Scratch nas aulas de matemática e trabalhar em projeto com outras disciplinas (will be checked! :) ), ajudar o meu departamento a desbravar novos caminhos e a crescer comigo (check!)...
... e andava eu aqui à procura de outra coisa e a revisitar recursos vídeo, quando descubro que a conferência de encerramento em Barcelona foi filmada e partilhada... Nela, a Karen a Clare e eu falámos muito sobre como ajudar os professores e as comunidades a avançarem com o uso do scratch nas escolas. Foi muito bom rever esse momento e adicionou ainda mais entusiasmo às intenções, porque é bom recordar o tanto que já foi feito para meter mãos à obra no tanto que falta fazer.






outros momentos:



sábado, janeiro 31, 2015

Stand and deliver (O preço do desafio) - 1988

... e ainda no espírito da educação matemática de sucesso, hoje, na segunda sessão da oficina de formação sobre supervisão pedagógica entre pares (sim, os professores fazem formação ao sábado), um filme ("Stand and deliver"... "O preço do desafio") que muitos deviam ver. Aqui a ideia era usar algumas cenas para observação de uma sala de aula, mas o professor de matemática Escalante, no centro da história, tornou-se bem maior do que tudo isso e acabámos com vontade de o ver por inteiro e de o conhecer melhor... a ele e ao seu caminho de sucesso junto de alunos condenados a serem apenas os filhos de um deus menor. Se não conhecem o filme... apressem-se a descobrir. E, depois, muito mais coisas espalhadas por aí que nos (re)inspiram nestes tempos difíceis (em que a tutela se esmera com dedicação, afinco, desonestidade e absoluta inconsciência para desacreditar toda uma classe, ao invés de criar condições para uma educação de sucesso).

 Stand and Deliver
Wikipedia, the free encyclopedia



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by Jay Mathews
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Motivation: A Key to Effective Teaching: 

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 Filme completo:  O preço do desafio

A Mathematician's Lament: How School Cheats Us Out of Our Most Fascinating and Imaginative Art Form

de Paul Lockhart
Lockhart's Lament

Por vezes encontramos na internet alguns diamantes...
(Jogo: descubra as diferenças para os atuais programas e filosofias de ensino)

na Amazon

“One of the best critiques of current mathematics education I have ever seen.”—Keith Devlin, math columnist on NPR’s Morning Edition
A brilliant research mathematician who has devoted his career to teaching kids reveals math to be creative and beautiful and rejects standard anxiety-producing teaching methods. Witty and accessible, Paul Lockhart’s controversial approach will provoke spirited debate among educators and parents alike and it will alter the way we think about math forever.
Paul Lockhart, has taught mathematics at Brown University and UC Santa Cruz. Since 2000, he has dedicated himself to K-12 level students at St. Ann’s School in Brooklyn, New York.
This month's column is devoted to an article called A Mathematician's Lament, written by Paul Lockhart in 2002. Paul is a mathematics teacher at Saint Ann's School in Brooklyn, New York. His article has been circulating through parts of the mathematics and math ed communities ever since, but he never published it. I came across it by accident a few months ago, and decided at once I wanted to give it wider exposure. I contacted Paul, and he agreed to have me publish his "lament" on MAA Online. It is, quite frankly, one of the best critiques of current K-12 mathematics education I have ever seen. Written by a first-class research mathematician who elected to devote his teaching career to K-!2 education.

Paul became interested in mathematics when he was about 14 (outside of the school math class, he points out) and read voraciously, becoming especially interested in analytic number theory. He dropped out of college after one semester to devote himself to math, supporting himself by working as a computer programmer and as an elementary school teacher. Eventually he started working with Ernst Strauss at UCLA, and the two published a few papers together. Strauss introduced him to Paul Erdos, and they somehow arranged it so that he became a graduate student there. He ended up getting a Ph.D. from Columbia in 1990, and went on to be a fellow at MSRI and an assistant professor at Brown. He also taught at UC Santa Cruz. His main research interests were, and are, automorphic forms and Diophantine geometry.

After several years teaching university mathematics, Paul eventually tired of it and decided he wanted to get back to teaching children. He secured a position at Saint Ann's School, where he says "I have happily been subversively teaching mathematics (the real thing) since 2000."

He teaches all grade levels at Saint Ann's (K-12), and says he is especially interested in bringing a mathematician's point of view to very young children. "I want them to understand that there is a playground in their minds and that that is where mathematics happens. So far I have met with tremendous enthusiasm among the parents and kids, less so among the mid-level administrators," he wrote in an email to me. Now where have I heard that kind of thing before? But enough of my words. Read Paul's dynamite essay. It's a 25-page PDF file: Lockhart's Lament